
Viralizar ou construir autoridade?
Nem toda atenção que uma marca conquista deveria ser comemorada.
Dia desses, recebi uma pergunta nas redes sociais: "O que você acha das trends de dancinhas? Devo fazer?"
Minha resposta foi: Cuidado.
Não há nada de errado em fazer humor, entrar numa trend ou publicar algo mais leve e jocoso. O problema começa quando alguém decide fazer isso só porque "todo mundo está fazendo". Trend não é estratégia. É ferramenta. E toda ferramenta deveria servir a um objetivo.
Também seria um erro desprezar o vídeo curto. A HubSpot perguntou para mais de 1.700 profissionais de marketing qual formato traz o melhor retorno, e o vídeo curto ficou em primeiro lugar, à frente de imagem, live e artigo. O formato funciona.
A pergunta certa não é se: "isso vai viralizar?". É: depois de assistir, o que essa pessoa vai pensar sobre mim?
Um vídeo pode alcançar 100 mil pessoas e não gerar um cliente. Outro pode alcançar 5 mil pessoas certas e gerar vários. Alcance mede distribuição, não relevância.
Isso importa especialmente para quem vende conhecimento: advogado, médico, contador, consultor, empresário. Essas pessoas não vendem só um serviço, vendem confiança. Aristóteles já chamava isso de ethos: a credibilidade de quem fala. O conceito segue atual. Só mudou de canal.
A Edelman fez uma pesquisa com o LinkedIn e perguntou pra quem decide compras em B2B o que mais pesa na hora de confiar numa empresa. Resultado: 71% disseram que confiam mais em conteúdo de quem entende do assunto do que em material de marketing tradicional. Mas tem um detalhe que muita gente ignora: 65% desses mesmos compradores só confiam nesse conteúdo quando ele soa humano, sem aquele português de nota fiscal.
Isso derruba uma falsa escolha. Construir autoridade não exige ser sisudo. O oposto de autoridade não é diversão; é irrelevância.
Um contador pode brincar com o universo tributário. Um advogado pode transformar uma situação jurídica do dia a dia em conteúdo leve. Um empresário pode entrar numa trend, sim; desde que aquilo tenha relação com a marca que ele quer construir. Quando o entretenimento ajuda a passar a mensagem, ele cumpre o papel dele. O problema é quando a embalagem vira o produto.
Antes de publicar, vale fazer três perguntas:
- Isso fortalece o posicionamento pelo qual quero ser conhecido?
- Está atraindo gente relevante para o meu negócio?
- Se esse conteúdo tiver pouca visualização, eu ainda vou ter orgulho de tê-lo publicado?
A terceira é a mais importante. Se uma ideia só parece boa na hipótese de viralizar, ela provavelmente nunca foi uma boa decisão de marca.
Esse é o risco de correr atrás de toda novidade das redes: terceirizar sua estratégia para o algoritmo. Algoritmo muda. Trend passa. A música que domina seu feed hoje será esquecida em duas semanas. Sua reputação não anda nessa velocidade.
Por isso, não escolha conteúdo só pelo alcance. Escolha pelo que vai ficar na cabeça de quem assistiu.
Chamar atenção é fácil. O difícil é transformar essa atenção em confiança; e é isso que constrói um negócio. No fim, cliente não escolhe quem apareceu mais. Escolhe quem deu motivos para confiar.
Trend passa. Autoridade fica.
Antes de gravar a próxima dancinha, pense: isso me aproxima do cliente que eu quero, ou só me dá visualização? Se você é contador, advogado ou consultor, responda: qual foi a última vez que um conteúdo sério (não uma trend) trouxe um cliente de verdade para você?
A resposta pode elevar seu negócio ou acabar com ele.
