
Esforço é condição sine qua non para o resultado?
Há alguns dias ouvi de um empresário que "esforço não é suficiente". Sem raciocinar, demonstrei objeção a essa afirmação. Obviamente que esse tema nos rendeu algumas horas a mais de conversa. Durante a conversa, inúmeras reflexões, opiniões e pontos de vista, mas nenhuma conclusão definitiva.
Acredito que essa reação de objeção seja bastante comum. Muitos de nós fomos educados ouvindo que "quem se esforça, vence". No ambiente corporativo, essa ideia aparece em diferentes versões, como "quem performa, cresce" e "o sucesso é consequência do esforço". Por isso, é natural que, ao ouvir alguém afirmar que "esforço não é suficiente", nossa primeira reação seja interpretá-la como uma desvalorização do trabalho, da dedicação e das próprias entregas.
Independentemente de quem estivesse certo naquela conversa, ela despertou a vontade de propor a reflexão sobre Resultado, mas combinado com Estratégia e Esforço. Segundo o professor, consultor e autor Mario Henrique Trentim, a literatura de gestão aponta diversos motivos pelos quais as organizações falham na execução e, consequentemente, não alcançam os resultados planejados.
O olhar reflexivo sobre o tripé Estratégia, Esforço e Resultado pode ser facilitado pela metáfora de uma hélice composta por quatro pás e um eixo (conceito adaptado de Larry Bossidy e Ram Charan). Para gerar propulsão, todas as pás precisam girar de forma sincronizada ao redor de um eixo comum. Se uma delas se curva, perde velocidade ou o eixo começa a oscilar, a hélice continua girando, mas o sistema perde força e eficiência.
Nessa lógica, o Resultado não é fruto de um único fator, mas da interação de um sistema integrado:
- Estratégia adaptativa: não é um plano de poucas ou muitas páginas, mas sim o conjunto mínimo de escolhas integradas que orienta decisões e mantém a organização alinhada.
- Governança enxuta: não é ausência de controle, mas sim o mínimo de estrutura, processo e mecanismos de governança necessários para manter a direção sem comprometer a agilidade.
- Gestão de valor: é a capacidade de alocar recursos às iniciativas com maior probabilidade de retorno.
- Capacidade de entrega: é a habilidade organizacional de estruturar equipes e recursos para as iniciativas estratégicas, transformando planejamento em execução.
- Ritmo de aprendizagem: é a disciplina de revisar continuamente resultados, aprender com a execução e realizar os ajustes necessários antes que pequenos desvios se transformem em problemas estruturais.
Ao final, me parece que a questão nunca foi se o esforço é suficiente, mas se ele, isoladamente, é capaz de produzir resultados. O esforço é o combustível. A estratégia aponta o destino. A governança reduz os atritos. A gestão de valor define onde investir energia. A capacidade de entrega transforma intenção em execução. E o ritmo de aprendizagem garante que, a cada ciclo, o sistema se torne mais eficiente.
Talvez seja por isso que tantos profissionais e organizações trabalhem intensamente e, ainda assim, não alcancem os resultados esperados. O esforço é indispensável, mas seu verdadeiro potencial só aparece quando está a serviço de uma estratégia bem executada.
